sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Há quem escolha o Natal para ter férias longe da tradição


Entre muita "saturação", vontade de inovar, necessidade de esquecer maus momentos e alguma indiferença perante a tradição, não falta quem opte por viajar no Natal, levando cada vez menos "sentimento de culpa" na bagagem.
Joana e Sílvio Santos, de 30 e 29 anos, ainda namoravam quando decidiram passar as duas últimas semanas de Dezembro de 2004 longe da família para "mudar de ares" e aproveitar o Verão brasileiro.
A experiência de passar o Natal no Rio de Janeiro, "física e mentalmente distinto" da sua cidade, o Porto, marcou-os de tal forma que passaram a programar uma viagem todos os anos.
"Não é que não gostássemos de estar cá, mas já estávamos um pouco fartos do stress das compras, da agenda. Lá conseguimos relaxar e ainda poupámos dinheiro por faltarmos a jantares e festas", conta Joana à Lusa, referindo que os recém-casados foram também a Cabo Verde, Paris, Amesterdão e Barcelona.
"As famílias não adoraram a ideia, mas como nos vemos muito ao longo do ano habituaram-se e já vamos descansados. Se estivermos todos felizes e com saúde, já é Natal, não é?", questiona.
Já a família do lisboeta Gonçalo Jorge ainda tem dificuldades em conformar-se com as repentinas viagens de Natal do webdesigner de 34 anos.
Desde há quatro anos que o jovem e dois amigos esperam pelo dia 24 para decidir o destino: "Há sempre um voo que fica baratíssimo horas antes para encher o avião. Causa alguma inquietação, mas é muito divertido e combate a saturação que todos já sentíamos, é sempre uma altura de obrigações".
Com o passar do tempo, diz, o "sentimento de culpa" por não estar com a família foi diminuindo.
"Eles reclamam todos os anos e dizem que quero é remar contra a maré, mas no fundo sabem que o Natal me é um pouco indiferente. Mas um dia gostava de os levar comigo", refere Gonçalo, depois de a sorte o ter levado a Madrid, Barcelona, Bombaim e Açores.
É precisamente da ilha açoriana de São Miguel que Mário Jorge Cabral, de 49 anos, tem partido em viagem no Natal ou ainda antes: nos últimos sete anos, o professor passou três noites de Natal longe de casa e nos outros anos optou por viajar no dia 25.
Os Estados Unidos, onde o irmão vive há duas décadas, e o Brasil, Lisboa e Madrid, onde tem amigos, foram os destinos escolhidos.
"Custa-me um pouco, porque a minha mãe vive muito o Natal, mas sempre foi uma época que me custou, por presenciar a tristeza dos meus pais com a ausência do meu irmão. E o dia 25 não me diz nada, não é típico celebrá-lo na família", conta.
Já Lúcia Paiva, de 35 anos, costumava passar o dia de Natal "em festa", mesmo depois de "grandes noitadas familiares" na véspera, mas a morte da irmã, em Outubro de 2006, alterou o hábito da enfermeira lisboeta, que procura agora um "refúgio" longe das lembranças durante este período.
"Não é fácil escolher o destino, o Natal é vivido em todo o lado, está ao virar da esquina. Já estive na Islândia, na Índia e na Argentina, mas este ano juntei-me a uma instituição numa pequena missão em África, acho que será a melhor forma de reencontrar este espírito de que tanto se fala", afirma.
http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1454654

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